Possíveis Vidas Extraordinárias

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Poderia ter sido diferente.
Ela cresceria cheia de sonhos e esperanças, alimentada por uma infância feliz e digna junto à sua família. Brincaria com seus amigos, irmãos e primos, abraçaria seus pais, desejaria comprar presentes, podendo ou não, nos dias especiais.
Leria muitos livros, viajaria em suas fantasias, imaginando personagens, lugares, países, reinos…
Cresceria, entraria na faculdade, namoraria, beijaria, seria feliz. Seria uma mulher extraordinária. Assumiria um bom cargo em alguma empresa, fundaria sua própria empresa, poderia ser a futura Presidente do país. Teria sucesso, teria fracassos, mas viveria emoções.
Poderia ter tido uma vida extraordinária.
Ele também alimentava sonhos. Alguns dizem que queria ser jogador de futebol, outros alegam que seu sonho era ser médico e o primeiro Doutor da família. O certo é que ele alimentava sonhos.
Poderia ser um empresário, um artista, um pai. Também se formaria na faculdade, com facilidades e dificuldades, mas choraria com sua mãe na formatura encarando o futuro com o peito aberto, torcendo para que seu diploma e força de vontade fossem o suficiente para superar os inúmeros desafios que enfrentaria.
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Eles teriam vidas extraordinárias, mas foram impedidas pela ignorância da nossa sociedade.
Suas infâncias foram interrompidas, uma bala atravessou suas mentes cortando todos os seus pensamentos para sempre. Tudo o que poderiam ter sido desapareceu junto com um último suspiro, com o corpo jogado no chão frio, molhado com sangue inocente.
Todos os anos centenas de vidas extraordinárias deixam de existir ceifadas por um estado racista e genocida que mutila e mata sua população com balas “achadas”, as vidas que são perdidas. Perdidas para sempre e que não voltam mais.
A violência policial em nosso país, o despreparo dos “agentes da justiça”, o total desprezo do Estado e da elite para com as crianças pobres, tudo isso mata, e mata muito, todos os dias, todos os anos.
O certo é que nunca mais ouviremos as gargalhadas gostosas dessas crianças, nem responderemos perguntas existencialistas feitas de surpresa num dia qualquer. Nunca mais veremos o brilho nos seus olhos inocentes diante de um presente, tampouco daremos conselhos a elas sobre a vida, vida essa que não lhes pertence mais.

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