Conselhos veganos – parte II

monte olimpo

Desça do monte Olimpo, você não é um Deus dono da verdade absoluta só porque aderiu ao veganismo.

Devemos desconstruir a ideia de que “tornar-se vegano” seja uma tarefa tão elevada que lhe permita olhar olimpicamente para as pessoas como se tivesse concluído os doze trabalhos de Hércules. Pelo contrário, a soberba nos distancia do aperfeiçoamento e caso você se distraia ela vai se comportar como a Hydra de Lerna, a cada cabeça cortada surgirá duas igualmente mortíferas.
O Veganismo inteligente preza pelo diálogo constante, principalmente com os vegetarianos, que por razões diversas estão mais abertos aos ideais do veganismo.
Vou usar como exemplo minha passagem para o lado verde da força.
Sempre comi carne, gostava de carne e convivia com carnistas declarados. Não conhecia o veganismo, havia ouvido falar do vegetarianismo, mas de forma distante, quase como uma novidade de alguma cultura exótica e não me despertou muito interesse. Vivia confortavelmente sem precisar ler rótulos, evitar comidas gostosas ou passar fome numa festa de aniversário ou casamento.
Pois bem, onde trabalhava conheci uma pessoa que apresentou a mim e outros amigos o vegetarianismo, me levou em restaurantes, levava comida a mais para me mostrar como é possível comer bem sem recorrer à carnes, mas acima de tudo me tratava com respeito e dignidade. Ela me emprestou alguns filmes, indicou artigos e conversava sempre que possível.
Através desse exemplo, eu e mais dois amigos nos tornamos vegetarianos e depois, também pelo exemplo dela, conhecemos o veganismo e, cada um em um tempo diferente, nos tornamos todos veganos.
A irmã e o cunhado de um desses amigos tornaram-se veganos, que por tabela também conheciam a mulher que viria a ser minha esposa hoje, que também se juntou a corrente e aderiu ao veganismo. Poderia me estender mais, pois as ramificações continuam, mas o importante é que a humildade e inteligência de uma pessoa fez a diferença na vida de outras seis e de milhares de animais que não serão mais consumidos nem escravizados pelo nosso consumo.
Resumindo, a atitude benevolente e humilde de um vegano pode fazer a diferença em muitas vidas, ao passo que a arrogância e ignorância pode minar tudo o que você prega sobre moral e ética.
Além disso, existe o fato (não é opinião, é fato) de que não existe veganismo se não reconhece outras lutas, seja contra homofobia, racismo, machismo e toda manifestação de injustiça. A vida é um todo indivisível, não é possível fazer o bem de um lado e o mal do outro.
É claro que em alguns casos, no meio de um debate você vai perder a paciência, mas em geral será com pessoa que desrespeitam qualquer opinião que não seja a delas e não vale a pena se desgastar assim.
Um vegano deve pesquisar sempre, estudar sempre, procurar conhecimento ir a eventos sempre que possível. Não é saudável para um vegano ficar em casa brigando pelo Facebook, ao passo que poderia fazer muito mais pela causa se fosse mais ativo e positivo com as pessoas.

veganismo é tudo isso

Ser vegano não significa ter atestado de bondade.

Já ouvi e li diversas pessoas alegando que mantiveram distância do veganismo porque “vegano é tudo chato”.
Bom, entendo, mas não apoio. As pessoas são chatas, sejam no veganismo, no futebol, na igreja, no chá de panela e em qualquer lugar. Onde estiver dois ou três seres humanos, ali haverá a possibilidade da discórdia e implicância.
Outro ponto importante é que ao abordar o veganismo com alguém é inevitável que surja algum desconforto, pois a conscientização implica na aceitação de que você faz parte sim de um sistema odioso que comete crimes todos os dias, seja contra animais ou humanos, e esse desconforto é combustível fundamental para a mudança de hábito, afinal toda mudança começa com a conscientização.
Temas como especismo, sexismo, racismo, homofobia, entre outros, são desconfortável, mas devemos entender que o maior desconforto passa aquele que é vítima dessas atrocidades, e tocar na ferida é fundamental para limpa-la.
O que precisa estar na mente de uma vegano ou aspirante é que a causa animal e social é o que lhe motiva a continuar, não a opinião das pessoas. Não torne-se vegano para conhecer pessoas, não é uma brincadeira de damas e cavalheiros.
Ser vegano é romper com preconceitos enraizados na nossa sociedade e isso gera atrito e confronto.
Um vegano inteligente será sempre humilde e hábil ao falar sobre o tema com alguém, mas também será forte para absorver impactos que certamente virão, principalmente dos “amigos de causa”, e terá firmeza para defender um veganismo que promova a justiça e a ética, em todos assuntos.
Você vai conhecer “veganos” racistas, homofóbicos, misóginos, mentirosos, covardes e gente de todo tipo e mau gosto. Não se deixe abater por eles, nem que suas influências negativas lhe transformem num deles. Como disse acima, ser vegano não é ter atestado de bondade, entenda isso e você contribuirá com o veganismo com força e positividade. Negligencie isso e poderá se juntar aos desiludidos que abandonam a causa por conta de gente negativa.
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