Conselhos Veganos – Parte I

Faço parte de alguns grupos sobre o Veganismo no facebook e converso diariamente com veganos, seja pessoalmente ou à distância, e percebo que muitos encontram dificuldades nos estágios iniciais da caminhada vegana, seja por falta de conhecimento ou de simpatia (incrível, mas acontece) e em alguns casos acabam desanimando ou aceitam o mito de que ser vegano é muito, mas muito difícil.
Nem ao céu nem ao inferno, tudo na vida exige esforço e um pouquinho de boa-vontade, mas é inegável que se existisse um manual para a vida ela seria menos sofrida. Pensando nisso, resolvi elaborar alguns textos com dicas, coisinhas, que podem facilitar seu caminho.
Nada do que escreverei aprendi num livro, blog ou vídeo no youtube, mas são coisas que talhei através da minha própria experiência errante e conselhos de amigos, sendo eles veganos ou não.
Toda semana vou publicar um texto que aborde algum tema pertinente na vida de todo vegan, não abordarei a nutrição, pois existem pessoas mais gabaritadas para falar sobre o assunto, mas os textos serão focados em lições que aprendi ao longo desses anos em que tenho o prazer de viver sem patrocinar a crueldade, e vou começar neste primeiro post com algo elementar: Convivência.

Mantenha contato com veganos, mas não se isole do mundo.

bolha

Manter contato com algum Vegano esclarecido sempre ajuda muito, principalmente no começo, fase em que temos pouco conhecimento sobre alimentação, opção de lugares para comprar roupas e muitas outras coisas que compões nosso dia-a-dia. Esse foi o objetivo inicial de muitos grupos no facebook, que por diversos motivos fugiram do seu propósito inicial.
Ter alguém para dividir suas conquistas e frustrações é muito importante nessa fase de desconstrução, seja essa pessoa um amigo, namorado, marido, irmão ou até mesmo um conhecido, mesmo virtual, que não mede esforços para lhe tirar aquela dúvida que fica martelando sua cabeça.
Porém, e digo isso sem medo de errar, mantenha contato com as pessoas que não são veganas. Elas vão lembrar você, através das atitudes, do por que você optou por uma vida baseada na ética e liberdade. Sem contar que muitos amigos não veganos são mais lúcidos do que muito vegans por ai e podem mostrar, mesmo sem querer, caminhos alternativos que serão muito úteis.
 Isso tudo sem contar o óbvio, você pode influenciar positivamente na vida dessa pessoa que através do seu exemplo pode conhecer e entender o veganismo.

familia comendo

Andreone, um de meus irmãos, é biólogo, mas ele não se resume numa profissão. Ele é um indivíduo extraordinário, com uma inteligência e talento que poucas vezes encontrei em minha vida, e, além disso, é um sujeito muito crítico, capaz de defender seu ponto de vista com todo tipo de argumento científico que estiver ao seu alcance. Eu não fico muito atrás em teimosia e não demorou muito para que entrássemos em rota de colisão. Nunca achei coerente uma pessoa que diz que gosta de animais come-los no almoço e nunca escondi dele minhas convicções, pelo contrário, sempre falamos sobre o assunto, seja num almoço de família, num bate-papo pelo facebook ou trocando mensagens pelo celular.
O agravante é que eu estava discutindo com uma cara que faz mestrado na USP e que jogava todos os argumentos, nomes científicos, teorias mirabolantes  e explicações elaboradas sem nenhum remorso na minha cara. Percebi logo no início que para manter argumentação eu precisaria buscar conhecimento, não para atender meu ego e ganhar a discussão, mas para saber do que estava falando e talvez ajuda-lo a mudar seu ponto de vista.
Eu peguei livros emprestados de biologia (alguns dele, inclusive), fisiologia humana, li artigos, assisti filmes e pouco a pouco fui tomando gosto pelo conhecimento e o que começou como uma “corrida armamentista” se tornou num hábito que me ajudou a cristalizar o meu próprio olhar sobre o mundo e o veganismo. Hoje, meu irmão está muito mais receptivo aos ideais veganos, inclusive me convidou par almoçar em sua casa e preparou toda a comida sem nenhum ingrediente de origem animal, mas não foi porque fui convincente, mas pelo simples fato de manter o diálogo e estimula-lo a ver o veganismo não como uma ameaça aos seus hábitos tradicionais e sim como mais um degrau na evolução do nosso convívio com outros animais neste planeta.
Da esquerda para direita: Rodrigo (eu, sempre sorridente), Andressa, Luciene e Andreone.

Da esquerda para direita: Rodrigo (eu, sempre sorridente), Andressa, Luciene e Andreone.

Um amigo que não é vegano nos ajuda a sair da zona de conforto que nos acomodamos quando convivemos apenas com pessoas que concordam com nossas ideias, e isso tem um valor imensurável.
Viver isolado numa bolha não é recomendável para ninguém, mas principalmente os vegans devem manter os olhos bem abertos. Conforme você supera as primeiras dificuldades na fase de transição é natural surgir dentro de si uma confiança que muitas vezes nos coloca em situações embaraçosas ou até mesmo adquirir hábitos contraditórios, pois o caminho do veganismo é percorrido com o aperfeiçoamento constante, que é muito facilitado por conselhos e direcionamentos.
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