AC=vc² ( AutoConhecimento = você ao quadrado)

Acredito que o autoconhecimento libertará a humanidade.
Certa vez, em uma palestra, o astrofísico americano Neil deGrasse Tyson lançou um pensamento perturbador.
Nós, humanos, compartilhamos 99% do DNA com os chipanzés. Tudo o que nos difere de um chipanzé está nesse 1% restante. Tudo o que construímos, desde a escrita até o telescópio Hubble se deve a esse único e solitário 1% de diferença em nosso DNA.
Agora vamos para um exercício de imaginação visualizar uma espécie que viva em outra galáxia, ou até mesmo na nossa, mas que ainda não conhecemos e cujo DNA seja 1% diferente do nosso na mesma direção em que somos diferentes do chipanzé.
Sei que temos uma vontade muito grande de ter contato com seres extraterrestres, mas será que temos realmente alguma coisa a dizer a eles? Será que somos tão inteligentes como julgamos ser? Qual foi a última vez que você se interessou em conversar com um chipanzé?
Telescópio Hubble

Telescópio Hubble

A humanidade supervaloriza sua própria importância por não ter coragem de se conhecer.
Arrisco a dizer que, por mais que a Humanidade tenha vontade de viajar pelas estrelas, de conversar com civilizações mais evoluídas que habitam outros planetas, não temos a capacidade de conversar, dialogar em nosso próprio planeta. O pior é que não sabemos conversar com nós mesmos.  E isso se deve ao profundo desconhecimento que temos sobre nós como indivíduos.
Você conhece mais sobre a biografia de um cantor do que sobre você. Digo isso sem medo.
Posso apostar meu braço direito, e olha que sou destro, que se alguém lhe fizer uma descrição imparcial e fria sobre a sua pessoa demoraria um bom tempo para perceber que se trata de você. O mais provável, porém, é que nem perceba.
Conhecer a si mesmo é um processo contínuo e muitas vezes perturbador, assemelha-se a uma viagem interplanetária. É óbvio que nunca fiz uma viagem dessas. Faço essa comparação usando meu limitado conhecimento adquirido em programas de televisão e algumas leituras ocasionais, mas que me fornecem informação sobre o quanto não sabemos sobre o universo. Viagens como essa, acredito, são de ida, mas sem volta, cujo tempo se distorce e passamos a olhar tudo ao nosso redor sob outra perspectiva.
O processo de autoconhecimento é parecido.
Você entra em uma cápsula que é seu próprio pensamento e viaja desconstruindo tudo o que imaginava saber sobre a vida e sobre as coisas ao seu redor, assumindo uma posição de humildade perante as questões mais elementares da existência, aceitando a possibilidade de estar completamente errado em questões que antes julgava ser o detentor da verdade.  É chocar-se com tudo o que aprendeu, elevar-se ao quadrado, multiplicar-se, dividir-se, somar-se a outras coisas. O processo de autoconhecimento é eterno. Logo, nunca saberá tudo sobre alguma coisa, pois estamos em constante transformação.
Qual das suas ações é motivada por sua própria vontade?
É óbvio que nossa vida é moldada pelos costumes da sociedade vigente. Do seu jeito de falar à comida que entra na sua boca, tudo é influenciado pelo conhecimento adquirido através de milhares de anos, de geração para geração. Não quero aqui levantar suspeitas de uma conspiração mundial para controlar nossos cérebros, acho esse pensamento limitado e empobrecedor. Quero dialogar sobre nossa vida sonolenta, que achamos ser grande coisa, mas que se limita a uma atividade mecânica entre um cochilo e outro.
Não é raro, digo até que é comum, as pessoas ficarem espantadas quando descobrem que não consumo nada de origem animal. Nem carne, nem leite, queijo, nada. Assim que essa informação entra em seus cérebros ela dispara um gatilho na forma de pergunta, essa pergunta é: Como você vive sem proteínas?
Sou imediatamente tentado, e confesso que é preciso um grande controle para me segurar, a perguntar se ela sabe o que é proteína. Mas em nome da boa convivência me limito a dar uma resposta quase que decorada, já que sempre preciso explicar, sobre outras formas de conseguir a tão preciosa proteína.
Porque citei isso? Pois a pergunta ”como você vive sem proteínas?“ não é feita de forma racional. Ela é feita quase como uma defesa , uma forma de reagir ao “absurdo” que acabou de ouvir. E isso só é um absurdo porque essa pessoa nunca parou pra pensar sobre o que ela come. Ela não sabe de onde vem a sua comida. Ela não sabe como é fabricada a sua comida.
Se uma pessoa não sabe o que come, o que ela sabe, afinal?
Uso a questão alimentar, pois é universal, mas poderíamos entrar em milhões de outros temas, alguns mais polêmicos do que outros, mas que revelariam nosso desconhecimento sobre a vida que levamos. Você pode se perguntar sobre a profissão que escolheu, sobre o programa que assiste, o celular que usa, se sabe o porquê precisa de tudo isso.
O problema é que para pensar você precisa estar um tempo sozinho, e ai mora um dos maiores medos da humanidade.
Não acho que deva se isolar em uma cabana no topo de uma montanha. Digo que você precisa conseguir ficar sozinho em seus pensamentos, com seus próprios pensamentos. Questionar os tabus, as convenções que moldam sua existência, abrir mão do que não é vida e fazer corajosamente as perguntas que realmente importam.
Quem é tão insuportável que não consegue ficar uma hora sozinho consigo mesmo?
Quando cultivarmos o hábito de refletir sobre nossas ações, sobre o reflexo que essas ações têm sobre outros, quando estivermos evoluídos ao ponto de aceitar que podemos errar, que a verdade não é nossa por direito e que nunca a possuímos integralmente, ai estaremos capacitados para olhar para as estrelas e se perguntar se existe vida inteligente capaz de dialogar conosco. Pois teremos percorrido uma distância maior do que os extremos da nossa galáxia.
Teremos percorrido o 1% que nos separa de um chipanzé.

nós

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