Clandestinos

imigrante
No Brasil, especificamente na cidade de São Paulo, se você não é homem, branco, heterossexual e pertencente à classe média (no mínimo) já é considerado um clandestino.
É alvo de olhares desconfiados, suspeito antes mesmo de qualquer infração ser cometida.
E junta-se a esta vida clandestina qualquer cidadão estrangeiro que não seja Europeu, Norte americano ou Australiano.
Chilenos, Angolanos, Chineses, Peruanos, todos clandestinos.
E qualquer objeção a essa ideia não sobrevive à 15 minutos de caminhada pelo centro da cidade, onde as pessoas que a cidade não quer ver vivem amontoadas em ruas estreitas, esquinas escuras, sempre com um olhar assustado, fundo, de quem não dorme com medo de ser devorado vivo.
Está escancarado na abordagem preconceituosa dos policiais, no desprezo da opinião pública, na forma como são descaradamente excluídos dos meios de comunicação, sejam jornais, filmes ou novelas.

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Sua clandestinidade é vista nas escolas, no ponto de ônibus, na faculdade, na estampa da camiseta, no imã de geladeira, na música que toca no rádio, na voz do locutor, no sorriso amarelo e falso da mulher que segura a bolsa com mais força, no vidro que é levantado quando se aproximam de um carro, na caçada dos seguranças de shopping, na dificuldade de encontrar emprego, amigos, justiça e respeito.
Cabe ao clandestino, impedido de ter auto confiança e de afirmar seus valores, viver no submundo, em seu subemprego, recebendo subsalários para comprar comida suficiente para continuar subnutrido.
Um clandestino não denuncia a agressão, a lei não serve para ele.
Quando nasce, antes de receber uma certidão de nascimento, este cidadão é fichado na delegacia e suspeito automático do crime mais próximo a sua residência ou local de trabalho.
Se ele for desprezado o suficiente, viverá invisível por toda a vida, mas se der o azar de ser visto, de usar uma roupa mais curta, de ousar dizer “não concordo” , ou pior, “tenho direito”, este será açoitado, humilhado, espancado, estuprado e desacreditado.
É preciso dizer um sonoro “NÃO” à tudo isso, à toda forma de opressão, de exclusão e preconceito.
Adotar uma postura de tolerância zero é o único caminho para a nossa afirmação como cidadãos, seja qual for sua cor, gênero ou idioma.

reaja

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